quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

The Who



Por Ricardo Chiodelli

The Who é uma banda de rock britânica surgida em 1964 em Shepherd's Bush, Londres. Sua formação original era composta por Pete Townshend (guitarrista, alguns vocais e principal compositor), Roger Daltrey (vocais), John Entwistle (baixo e metais) e Keith Moon (bateria e percussão).
O grupo ficou famoso por uma série de coisas como quebrar os instrumentos no palco, e ficou conhecida na época como a 'banda de rock mais barulhenta'. O auge da fama veio em 1969 com o lançamento da ópera rock "Tommy".
Seu primeiro trabalho, “My Generation”, era recheado com músicas mods, e algumas se tornariam hinos do movimento como a música que intitulava o disco.
A medida que a música da banda ia evoluindo e suas composições se tornavam mais provocativas e envolventes Townshend agora passava a tratar os álbuns como projetos unificados, a primeira prova disso foi “A Quick One”, um épico do Hard Rock, continha uma coleção de músicas que reunidas contavam uma história, que dá o nome ao álbum, “A Quick One While His Away”, a história de uma mulher que trai o marido enquanto o mesmo está viajando.
No ano seguinte veio o ótimo “The Who Sell Out”, um álbum diferente que simulava a transmissão de uma rádio pirata, com direito até a jingles e propagandas. Além do novo álbum o grupo se apresentou no lendário Monterrey Pop Festival. Em 1968 Pete Townshend foi convidado para uma entrevista na qual revelou estar trabalhando em uma ópera rock de larga escala.
Em 1969, depois de um ano sem gravar um disco, Pete Townshend e o The Who lançaram um dos seus maiores se não o maior álbum, a ópera rock “Tommy”, a história de um menino que após ver seu pai assassinado fecha seus olhos para o mundo e vira cego, surdo e mudo. No mesmo ano tocaram em Woodstock e no festival de Isle of Wight.
Em 1970, durante a turnê “Tommy”, onde o setlist dos shows era praticamente todo com as músicas da ópera rock, o grupo se apresentou na Universidade de Leeds, o que acabou no maior álbum ao vivo da história segundo os críticos. Live at Leeds em sua versão original em vinil tinha apenas seis músicas do concerto, mas com o tempo novas edições foram sendo lançadas para consertar os ruídos e também acrescentar novas partes do show. Nesse mesmo ano o grupo se apresentou novamente no festival da Ilha de Wight, mas dessa vez como atração principal, e revelaram ao público seu novo projeto de álbum com duas músicas, “Water e I Don’t Even Know Myself”.
Com o tempo Pete Townshend foi revelando mais detalhes de seu novo projeto intitulado Lifehouse. Com o produtor Kit Lambert viciado em heroína e com dificuldades de gravar nos EUA, o grupo decidiu desistir do projeto e voltar para o Reino Unido para gravar novas músicas. A partir de alguns projetos de Lifehouse e outras composições surgiu o melhor álbum do The Who, “Who’s Next”.
O novo projeto de Pete era agora uma nova ópera rock chamada “Quadrophenia”, que contava a história de um jovem mod da década de 60, chamado Jimmy Cooper. O disco duplo foi um sucesso de vendas e foi classificado pela VH1 como 86o melhor álbum de todos os tempos. Na turnê do Quadrophenia aconteceu um fato inusitado, em um dos shows em Cow Palace, durante a música “Won’t Get Fooled Again”, o baterista Keith Moon desmaiou após ter tomado drogas contra sua vontade. Um baterista da platéia foi convidado para tocar enquanto Keith recebia cuidados.
Os álbuns seguintes evocavam canções mais pessoais de Townshend, estilo que ele eventualmente transferiria para seu trabalho solo. Foi daí que surgiu o ótimo álbum “The Who By Numbers”, que traz diversas músicas introspectivas e depressivas.
Em 1977, depois de um hiato de mais de um ano, o diretor Jeff Stain decidiu convocar os membros da banda para gravar um documentário chamado “The Kids Are Alright”, e no mesmo ano o grupo fez uma apresentação em Kilburn, norte de Londres.
O último álbum com o baterista Keith Moon foi em 1978 e era chamado “Who Are You”. Logo após seu lançamento Keith morreu em um quarto de hotel vítima de uma overdose causada pelo remédio que ele tomava contra o alcoolismo. Em 1979 mais uma tragédia ocorreu, desta vez nos Estados Unidos. Pouco antes de uma apresentação os membros da banda ensaiavam no palco enquanto os fãs eufóricos queriam entrar de qualquer jeito. Após ouvirem o som dos instrumentos e supondo que o show já havia começado iniciou-se um tumulto para entrar no local e 11 fãs acabaram mortos, pisoteados.
O substituto para a bateria foi Kenney Jonnes, ex-Small Faces. A banda chegou a gravar dois trabalhos com o baterista chamados “Face Dances” em 1981 e “It’s Hard” em 1982. A perda de Moon representou uma mudança no som da banda que passou a ser taxada de pop. Em 1983, Pete Townshend declarou sua saída do Who e o fim da banda.
Em 1989 e agora sem Kenney Jonnes o grupo embarcou em uma turnê para comemoração dos 25 anos do The Who e 20 anos de Tommy. Em 1990 o grupo foi homenageado no Hall da Fama do Rock como candidata ao título de "A Maior Banda de Rock do Mundo". Apenas Beatles e Rolling Stones tiveram esse tratamento no hall da fama. Já em 1996 Townshend foi convidado a tocar no Hyde Park em Londres, e pensou em tocar Quadrophenia acústico. Após contatar Roger Daltrey e John Entwistle ficou certo que o show aconteceria, e eles foram auxiliados por Zak Starkey na bateria, e John “Rabbit” Bundrick nos teclados. Também participaram dos shows uma orquestra de metais e um grupo de vocal de apoio.
Em 1999 o grupo, agora com cinco integrantes (Daltrey, Townshend, Entwistle, Zak Starkey e John Bundrick) se reuniu novamente para shows diversos shows em bares. O sucesso dessa turnê, por assim dizer, desencadeou uma nova turnê por EUA e Reino Unido e terminou com um show em prol da associação “Teenager Cancer Trust” no Royal Albert Hall em Londres. As críticas positivas levaram a banda a discutir sobre o lançamento de um novo CD.
Em 2002, John Entwistle foi achado morto em seu quarto no hotel Hard Rock Hotel em Las Vegas, nas vésperas de uma nova turnê. O laudo do legista foi que uma quantidade, embora pequena, de cocaína, havia obstruído suas veias já prejudicadas por um problema cardíaco não tratado. Em seu lugar, o grupo chamou o baixista Pino Palladino.
Em 2004 o grupo lançou duas músicas inéditas na coletânea “Then and Now”, chamadas Old Red Wine (uma homenagem a John Entwistle) e Real Good Looking Boy. Em 7 de julho de 2005 o grupo se apresenta no evento Live 8. E após vários atrasos e interrupções, em fevereiro de 2006 é lançado “Endless Wire”, primeiro álbum de inéditas desde It’s Hard.



Discografia de estúdio:

• My Generation (1965)
• A Quick One (1966)
• The Who Sell Out (1967)
• Tommy (1969)
• Who’s Next (1971)
• Quadrophenia (1973)
• The Who By Numbers (1975)
• Who Are You (1978)
• Face Dances (1981)
• It’s Hard (1982)
• Endless Wire (2006)

quarta-feira, 5 de agosto de 2009


Vamos inciar postando um texto sobre História Política, produzido durante as aulas do Mestrado.




Quando o passado era dos grandes.
Jonas Balbinot
Mestre em História

O início da História, creditado aos gregos, e é intrinsecamente ligado à formação e exaltação dos grandes homens, do indivíduo, e da exaltação de determinados marcos cronológicos. Escrita de forma narrativa sempre ligada, de uma forma ou outra, ao Estado e ao poder, representando as intenções e vontades dos governantes, portanto, apenas exaltando o passado, deixando à margem fatos considerados pouco importantes ou mesmo desabonadores do poder instituído, tentando impor-se como a memória de determinado povo.
No período da Idade Média, apesar da mudança do núcleo intelectual para dentro das igrejas, a essência da produção histórica foi mantida: datas, fatos isolados e narração. Somente no Renascimento é que aparecem algumas mudanças importantes. a crítica das fontes e a eliminação de lendas e milagres ‘fantasias’, em busca de fatos com veracidade. Porém, esse processo de crítica não mudou a forma de se escrever a história e a tradicional narrativa foi mantida. Esses mesmos historiadores faziam a chamada história oficial trabalhando para exaltar os poderosos.
No final século XVIII e século XIX, o movimento da Ilustração e o Romantismo, colocaram a História Política ainda mais no centro das atenções. Este período coincide com a formação e afirmação dos Estados Nacionais, quando então as obras históricas exaltavam os Estados, buscando fortalecê-los. Nesse período surgem as primeiras críticas a esta forma factual, ao campo político e de fazer história, vindas dos filósofos que propunham uma história filosófica racional, buscando o todo histórico. Também nesse período os historiadores eruditos trouxeram novas formas de crítica das fontes, além de abrirem novos acervos documentais à pesquisa.
No final do século XIX e século XX, as críticas à História Política foram sendo acentuadas, porém essas críticas não surtiram efeito, pois a produção historiográfica até o final de década de 1920 foi quase que totalmente baseada na História Política Tradicional. Essa crítica foi culminar no surgimento da revista dos Annales, em 1929, na França.
Com a abertura de novos campos de pesquisa, concomitante com a proposta dos Annales, surgem novos indicativos de trabalho para o campo político, voltando um novo olhar sobre este objeto. Entretanto a História Política tradicional não foi descartada. Em muitos lugares o seu método continuou sendo utilizado. O novo método pelos Annales caracteriza-se por uma resistência a privilegiar fatos, datas e indivíduos, atingindo diretamente o objeto da História Política Tradicional.

O mesmo Passado. Nova roupagem.

Com a criação da Revista dos Annales no início do século XX, surgiu um das primeiras formas de contestação à produção historiográfica desenvolvida até o aquele momento. Tendo por base o conhecimento interdisciplinar, a Escola dos Annales agregou as mais variadas áreas do conhecimento, fazendo com que a produção historiográfica extrapolasse suas próprias margens, apoiando-se agora em outras áreas, como a antropologia, a sociologia, a ciência política, a lingüística, a psicanálise, entre outras. Além disso, a tendência que surgia buscava uma História Total.
Entre os principais ícones articuladores desse movimento estão Lucien Febvre, Marc Bloch e Fernand Braudel. Esses historiadores buscavam uma nova maneira de produzirem conhecimento histórico, fugindo, de um lado, das análises factuais dos chamados positivistas – nas quais as fontes com validade eram as documentações oficiais – e, de outro, das análises, dos marxistas que usavam como referência de interpretação à estrutura econômica da sociedade. Fica claro, porém, que tanto os metódicos quanto os marxistas deixaram grandes contribuições à interpretação do passado, tendo importância ainda hoje no conhecimento histórico.
Esses novos métodos, novas abordagens e novos problemas suscitaram novas maneiras de interpretar o passado e essas mudanças causaram uma certa resistência ao estudo da História Política que acabou sendo confundida com a história factual e metódica, pois durante muito tempo foi escrita buscando construir heróis ou mitos, analisando as trajetórias individuais dos políticos e os fatos protagonizados por esses grandes homens. A história tinha ano, dia e hora marcada, as datas e os acontecimentos suplantavam a conjuntura que os envolvia.
A partir de década de 1970 e 1980 à História Política ressurgiu, chamada de Nova História Política, porém não da mesma forma como era estudada e escrita anteriormente. Volta ao cenário com um novo figurino, no qual os grandes heróis deixam de ser as únicas estrelas e passam a dividir o palco e as responsabilidades com o contexto histórico em que estão inseridos.
A História Política passou a se relacionar com outras áreas e com isso tornar possível a pluridisciplinariedade. Nessa nova fase, a política trouxe para junto de si idéias da sociologia, do direito público, da psicologia social, da psicanálise, da lingüística, da matemática, da informática, da cartografia, o que contribuiu - e muito - para a renovação da História Política
A história política passa a se caracterizar, portanto, de forma mais ampla, deixando de lado a antiga visão de datas e fatos. Agregam-se a ela novas variáveis de análise como, por exemplo, as eleições que passam a somar como fontes de muita importância, pois são a base do processo político nas sociedades contemporâneas. Os partidos assumem caráter de instituição e têm em seus filiados e recenseamentos, importantes fontes documentais. A opinião pública passa a pesar nos estudos da História Política, pois cada vez mais a população se politiza, buscando participar das decisões. A mídia assume caráter crucial, pois expressa abertamente idéias de quem disputa ou exerce cargos políticos e traz, em outros momentos, críticas positivas ou negativas da própria sociedade. Outro ponto a ser discutido pela Nova História Política agora é a política externa. No mundo contemporâneo, cada vez mais os países têm sido influenciados em suas administrações e decisões por conselhos internacionais e por outros países, além da força da globalização que abre e rompe as fronteiras estatais. Por fim surgem novas metodologias no estudo das Biografias, que não estudam o personagem isolado, mas sim inserido em um contexto.
Levando em conta essas novas visões e interpretações, Rémond expõe que “o político é como esses Estados dos quais a geografia não delineou previamente os contornos e a história não parou de modificar os limites: o político não tem fronteiras naturais”. Seguindo nesse tema Rémond deixa claro que: “na verdade, o campo do político não tem fronteiras fixas, e as tentativas de fechá-lo dentro de limites traçados para o todo sempre são inúteis.”